Brasil, EUA e a geopolítica das energias renováveis

País tem potencial para parcerias e investimentos em áreas como manejo da água, agricultura de baixo carbono, gestão de resíduos e energias renováveis

O regresso dos EUA ao Acordo de Paris sobre o clima, seguido de um pacote ambicioso de medidas para enfrentar a crise climática na América, assim como as iniciativas em curso nos países da União Européia junto com o anúncio da China que promete reduzir as emissões de carbono e buscar a neutralidade nas emissões até 2060 são sinais alvissareiros para o Brasil.


O país perdeu tração nos últimos anos, assim como os Estados Unidos, defendendo políticas e ações equivocadas, que mancharam a reputação brasileira no exterior.

O Brasil desde 2019 começou a perder a imagem de uma das lideranças no combate ao aquecimento global para ser visto como um país que faz pouco ou até mesmo ameaça esforços para a preservação de ecossistemas importantes para o planeta.


Os recentes sinais dados pelo governo americano de que a pauta ambiental mudou e será mesmo um dos principais eixos no governo do presidente Joe Biden podem motivar uma alteração mais do que necessária no discurso e nas ações do Brasil nesse sentido.


Afinal, nada mais do que os nossos principais parceiros comerciais (China, EUA e União Europeia) estão pela primeira vez na história mundial, alinhados com suas pautas ambientais e foco em investimentos vultuosos em desenvolvimento e adoção de novas tecnologias não-poluentes com vistas a consolidação de uma grande economia verde.

No quesito ambiental, o Brasil tem um “soft power” respeitável ainda no cenário mundial que precisa ser defendido, preservado e ampliado.


Desde 1992, quando o país foi sede da primeira conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, o Brasil sempre foi presença de destaque, e com uma voz sempre ouvida, em praticamente todas as mesas de negociações mundo afora envolvendo as questões e temas ligados ao meio-ambiente.


Diante das atuais necessidades do país, com uma urgente missão de gerar empregos e renda em um cenário de dificuldade aprofundado pelos efeitos da pandemia, e podendo aproveitar todo o capital verde acumulado pelo país, talvez seja a hora de o Brasil rever posturas recentes e aproveitar a janela de oportunidade que está se abrindo com China, Estados Unidos e Europa dispostos a ampliar como nunca antes visto os investimentos na criação de saídas sustentáveis para o planeta.


Recentes estudos tanto acadêmicos como do setor privado indicam um dado em comum: que os empregos com a economia verde já representam uma fatia significativa, superior a 6% dos postos de trabalho criados no Brasil.


O Brasil tem um grande potencial a ser explorado com responsabilidade em áreas como manejo da água, agricultura de baixo carbono, gestão de resíduos, energias renováveis de fontes naturais como solar e eólica que representam caminhos viáveis para o avanço com parcerias e investimentos, contribuindo para a geração de empregos e renda nas mais diversas regiões do país.


Essas iniciativas têm potencial para aproveitar a vocação de cada região do país, diversificando as fontes de renda e e emprego de um país imenso, mas ainda à espera de um projeto de desenvolvimento com menos voluntarismos e aspirações e com mais ações e medidas de fato concretas.


Conteúdo originalmente publicado no site O ESPECIALISTA:

https://oespecialista.com.br/opinioes/brasil-eua-geopolitica-energias-renovaveis/

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